quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Mãe Migrante por Dorothea Lange


Seja bem vindo (a), pode entrar, se assentar, pegar sua xicara e vamos prosear ..... que tal falarmos hoje sobre fotografia ???

Sempre gostei de ser fotografada, confesso!!! Mas de um tempo pra cá tenho desenvolvido o gosto por estar atras da camera e o privilegio de capturar imagens unicas, muitas invisiveis aos olhos desatentos, aquelas que exigem sensibilidade de quem as vê e talento para conseguir trazer para a lente algo que só os olhos hábeis puderam enxergar.

Uma técnica que me desperta muita curiosidade é o fotodocumentarismo e qualquer dia prosearemos especificamente a respeito. Só para clarear as idéias, segundo Jorge Pedro Sousa (2004, p.12): “um fotodocumentarista procura registrar a forma como um acontecimento afeta as pessoas.” Deu para entender? A fotografia adquire um cunho informativo, denunciativo e social. Mais para frente voltaremos a conversar a respeito.

Mas por que eu toquei no assunto desta técnica? Porque o meu desejo de hoje é prosear sobre a imagem que aparece ao lado no meu blog. Ela que pode ser tida como um exemplo desta tecnica. Mas quero mesmo é me aprofundar na história que há por detrás... então vamos lá.

Desde a primeira vez que vi a “Mãe Migrante” (1936), ícone da Grande Depressão me senti profundamente tocada e interessada na história que a envolvia. A fotografia é de Dorothea Lange (1895-1965), uma americana que se fez importante pela realização de trabalhos notáveis, numa epoca em que fotografia era uma atividade masculina. A mulher de expressão forte e preocupada, tema da fotografia de Dorothea Lange, é Florence Owens Thompson, então com 32 anos, viuva e mãe de sete filhos, que lutava pelo sustento de sua familia.

Um pouco sobre a foto.
Þ          O flagrante: No momento da foto, Florence havia acabado de vender seus bens (pneus e tenda) para comprar comida e neste exato momento seu olhar refletia o vazio pelo qual passava. Seus filhos esconderam-se atras dela no momento da foto.

Þ          Contexto da foto: A Grande Depressão, também chamada de “Crise de 1929”, foi o nome dado à terrível crise econômica mundial que se iniciou em 1929 e que persistiu ao longo da década de 1930. Responsável por um descontrole financeiro que gerou falência, pobreza e miséria para muitos, cujos efeitos só foram superados com a chegada da Segunda Guerra Mundial.

Þ          Relato de Lange: “Eu vi e abordei a mãe desesperada e faminta, como se atraída por um imã. Não lembro como expliquei minha presença ou minha câmera para ela, mas lembro de que ela não me fez perguntas. Não perguntei seu nome ou sua história. Ela me disse sua idade, que tinha 32 anos. Disse que estavam vivendo de vegetais congelados dos campos dos arredores e de pássaros que as crianças haviam matado. Ela havia acabado de vender os pneus de seu carro para comprar comida. Ela se sentou naquela tenda com suas crianças a cercando, e parecia saber que minhas fotos poderiam lhe ajudar, então ela me ajudou”.

Ainda que, esta fotografia pela imagam e pelo seu significado tenha rendido elogios e fama à sua autora, se tornado um documento histórico famoso, chegando até mesmo ilustrar selo dos correios, infelizmente a vida de Florence não mudou significativamente, ela faleceu pobre em 1983.
A “Mãe Migrante (Migrant Mother)” me fez refletir sobre muitas coisas, ela é forte, triste, dolorosa e penetrante, consegue me levar para aquele lugar num piscar de olhos. Por isso se fez tão presente e foi mostrada em milhares de lugares durante decadas.

Ainda quem desconhece a história que envolve esta foto, pode compreender a tristeza que há nos olhares, assim como a precoupação que assombra a mãe. Lange conseguiu com perfeição dizer muito com esta foto e mais, provocar o desejo de conhecer a consternação que envolve aquela familia.




Bem, como já disse, tenho desenvolvido um gosto muito gostoso (kkk) por fotografia, principalmente aquelas que nos trazem uma história, um significado. De certa forma, nos fazem aprender algo e vai alem da simples mostra de imagem, por isso a minha admiração.
Tornei-me fã de Lange e estou ansiosa pelo lançamento de sua cinebiografia, que terá como produtor executivo David Fincher (“O curioso caso de Benjamin Button)

Espero que tenham gostado ... até o próximo Chá ... Bjks!!!

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